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O Mito de Er

O Mito de Er: uma história de Platão, A República sobre vida, morte, escolhas.

Origem: Adaptação editorial de Platão, A República, livro X, 614b–621d Tradição: Filosofia grega 📖 Leitura de aproximadamente 2 minutos

O conto

No fim de A República, Platão apresenta a história de Er, um guerreiro que caiu em batalha. Seu corpo foi recolhido entre os mortos, mas, dias depois, quando estava prestes a ser cremado, ele voltou à vida. Ao despertar, contou o que havia visto enquanto estivera fora do mundo comum.

Er descreveu uma região onde as almas eram julgadas e seguiam caminhos diferentes conforme a vida que haviam levado. Algumas subiam, outras desciam, carregando consequências de suas ações. Depois de um longo percurso, retornavam a um lugar onde deveriam escolher uma nova existência. Diante delas apareciam muitos destinos possíveis: vidas de poder, beleza, riqueza, simplicidade, sofrimento, grandeza ou obscuridade.

A cena decisiva não era imposta por uma força cega. As almas escolhiam. Algumas, ainda seduzidas por aparências, tomavam rapidamente uma vida brilhante sem perceber os males escondidos nela. Outras escolhiam com mais cuidado, lembrando dores anteriores e examinando melhor aquilo que parecia desejável. O perigo estava em confundir aparência de felicidade com vida boa.

Ulisses recebeu o último lote. Depois de procurar longamente, encontrou a vida discreta de um homem particular, deixada de lado pelos demais. Disse que a teria escolhido mesmo se seu lote fosse o primeiro.

As almas atravessaram a planície do Esquecimento e beberam da água do rio Ameles. Quem não guardou medida esqueceu tudo. Er não bebeu. No meio da noite, um trovão lançou cada alma para um novo nascimento.

Ele não soube dizer por qual caminho voltou ao corpo. Abriu os olhos ao amanhecer, deitado sobre a pira funerária, com a lembrança que deveria contar aos vivos.

Um modo de olhar

O sorteio define a ordem, não a vida escolhida. Platão combina acaso, responsabilidade e formação: a liberdade existe, mas pode ser mal usada por uma alma que não aprendeu a examinar o brilho de cada destino.

O que talvez esteja pedindo para ser visto

Escolher envolve mais que desejar uma aparência de vida. Experiências anteriores, hábitos e atenção alteram o que cada pessoa consegue reconhecer nas opções diante de si — inclusive os custos que ficam escondidos.

Uma pergunta para levar consigo

Que aspecto de uma escolha costuma ficar invisível quando a possibilidade parece brilhante?

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