Davi e Golias
Davi e Golias: uma história de Tradição bíblica sobre coragem, proporção, ação.
O conto
Por quarenta dias, Golias saiu do acampamento filisteu pela manhã e ao entardecer. Chamava os israelitas para que escolhessem um homem e decidissem a guerra num único combate. Ninguém atravessava o vale.
Davi chegou ao acampamento para levar alimento aos irmãos. Ouviu o desafio e perguntou por que todos deixavam que aquela voz ocupasse o campo. Quando se ofereceu, o rei Saul tentou vesti-lo com a própria armadura. Davi caminhou alguns passos e parou: não sabia mover-se com ela.
Devolveu o bronze, tomou o cajado, escolheu cinco pedras lisas no ribeiro e levou a funda que já usava como pastor. Golias viu o rapaz se aproximar e respondeu com desprezo. Entre os dois, o vale continuava aberto.
Davi correu na direção do adversário. Pôs uma pedra na funda, girou-a e a lançou. Golias caiu de rosto no chão. Por um instante, os dois exércitos ficaram olhando para o mesmo ponto do vale.
Então os filisteus recuaram e os israelitas avançaram. A armadura de Saul permaneceu no acampamento, sem uso. As pedras que ficaram na margem do ribeiro continuaram onde estavam.
Um modo de olhar
A cena desloca a medida do confronto. Davi não vence por se tornar parecido com Golias; entra no vale com os instrumentos que conhece e recusa uma proteção que o impede de se mover.
O que talvez esteja pedindo para ser visto
Há situações em que a comparação faz parecer que só existe uma forma legítima de agir. O conto não transforma toda dificuldade em batalha vencível; mostra, porém, que o tamanho aparente de um obstáculo pode impor uma medida que não é a única possível.
Uma pergunta para levar consigo
Que medida de ação aparece quando a comparação deixa de comandar a cena?
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